AEE

O atendimento educacional especializado nas salas de recursos multifuncionais se caracteriza por ser uma ação do sistema de ensino no sentido de acolher a diversidade ao longo do processo educativo, constituindo-se num serviço disponibilizado pela escola para oferecer o suporte necessário às necessidades educacionais específicas dos alunos, favorecendo seu acesso ao conhecimento.

O atendimento educacional especializado constitui parte diversificada do currículo dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades / superdotação, organizado institucionalmente para apoiar, complementar e suplementar os serviços educacionais comuns. Nesse sentido, o atendimento educacional especializado não pode ser confundido com atividades de mera repetição de conteúdos programáticos desenvolvidos na sala de aula, mas deve constituir um conjunto de procedimentos específicos mediadores do processo de apropriação e produção de conhecimentos.

domingo, 20 de abril de 2014

DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA E SURDOCEGUEIRA




A inclusão de alunos com dificuldades acentuadas de aprendizagem no sistema comum de ensino requer não apenas a aceitação da diversidade humana, mas implica em transformação significativa de atitudes e posturas, principalmente em relação à prática pedagógica, à modificação do sistema de ensino e à organização das escolas para que se ajustem às especificidades de todos os educandos.


DEFINIÇÕES

“O termo deficiência múltipla tem sido utilizado, com frequência, para caracterizar o conjunto de duas ou mais deficiências associadas, de ordem física, sensorial, intelectual, emocional ou de comportamento social. No entanto, não é o somatório dessas alterações que caracterizam a múltipla deficiência, mas sim o nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais, de comunicação, interação social e de aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas.” (MEC – 2006)


"Surdocegueira é uma condição que apresenta outras dificuldades além daquelas causadas pela cegueira e pela surdez. O termo hifenizado indica uma condição que somaria as dificuldades da surdez e da cegueira. A palavra sem hífen indicaria uma diferença, uma condição única e o impacto da perda dupla é multiplicativo e não aditivo." (LAGATI, 1995, p. 306)

  • Cegueira congênita e surdez adquirida
  • Surdez congênita e cegueira adquirida
  • Cegueira e surdez congênita 
  • Cegueira e surdez adquirida


NECESSIDADES ESPECÍFICAS

Para que a pessoa possa se auto perceber e perceber o mundo exterior, devemos buscar a sua verticalidade; o equilíbrio postural; a articulação e a harmonização de seus movimentos; a autonomia em deslocamentos e movimentos; o aperfeiçoamento das coordenações viso motora, motora global e fina; e o desenvolvimento da força muscular. As pessoas com surdocegueira e com deficiência múltipla, que não apresentam graves problemas motores, precisam aprender a usar as duas mãos. Isso para servir como tentativa de minorar as eventuais estereotipias motoras e pela necessidade do uso de ambas para o desenvolvimento de um sistema estruturado de comunicação.
Devido às dificuldades fonoarticulatórias, motoras ou mesmo neurológicas, é comum nessas pessoas algum tipo de limitação na comunicação e no processamento e elaboração das informações recolhidas do seu entorno. Isso pode resultar em prejuízos no processo de simbolização das experiências vividas, por acarretar carência de sentido para as mesmas.
Prioritariamente deve-se, portanto, disponibilizar recursos para favorecer a aquisição da linguagem estruturada no registro simbólico, tanto verbal quanto em outros registros, como o gestual, por exemplo.
Mesmo quando a deficiência predominante não é na área intelectual, todo trabalho com o aluno com deficiência múltipla e com surdocegueira implica em constante interação com o meio ambiente. Este processo interacional é prejudicado quando as informações sensoriais e a organização do esquema corporal são deficitárias. Prever a estimulação e a organização desses meios de interação com o mundo deve fazer parte do Plano de AEE.
As características específicas apresentadas pelas pessoas com Deficiência múltipla lançam desafios à escola e aos profissionais que com elas trabalham no que diz respeito à elaboração de situações de aprendizagem a serem desenvolvidas para que sejam alcançados resultados positivos ao longo do processo de inclusão. Esses alunos constituem um grupo com características específicas e peculiares e, consequentemente, com necessidades únicas.


COMUNICAÇÃO

Todas as interações de comunicação e atividades de aprendizagem devem respeitar a individualidade e a dignidade de cada aluno com deficiência múltipla. Isto se refere a pessoas que possuem como característica a necessidade de ter alguém que possa mediar seu contato com o meio. Assim, ocorrerá o estabelecimento de códigos comunicativos entre a pessoa com deficiência múltipla e o receptor. Esse mediador terá a responsabilidade de ampliar o conhecimento do mundo ao redor dessa pessoa, visando a lhe proporcionar autonomia e independência.
Todas as pessoas se comunicam, ainda que em diferentes níveis de simbolização e com formas de comunicação diversas; assim, considera-se que qualquer comportamento poderá ser uma tentativa de comunicação. Dessa maneira, é preciso estar atento ao contexto no qual os comportamentos, as manifestações ocorrem e sua frequência, para assim compreender melhor o que o aluno tem a intenção de comunicar e responder.


APRENDIZAGEM
          
O processo de aprendizagem ocorre por repetição e estimulação orientada em contextos naturais, dado que a surdocegueira interfere na capacidade de aprendizagem espontânea e na de imitação. Sabe-se que o aprendizado da via de comunicação exige atendimento especializado com estimulação específica e individualizada. Quando a criança é estimulada precocemente, ela adquire comportamentos sociais mais adequados e também poderá desenvolver e aprender a usar seus sentidos remanescentes melhor do que aquela que não recebeu atendimento. Indivíduos com surdocegueira demonstram dificuldade em observar, compreender e imitar o comportamento de membros da família ou de outros que venha entrar em contato, devido à combinação das perdas visuais e auditivas que apresentam. Por isso, as técnicas “mão-sobre-mão” [Mão sobre mão: a mão do professor é colocada em cima da mão do aluno, de forma a orientar o seu movimento, o professor tem o controle da situação] ou a “mão sob mão” [Mão sob mão: a mão do professor é colocada em baixo da mão do aluno de modo a orientar o seu movimento, mas não a controla, convida a pessoa com deficiência a explorar com segurança] são importantes estratégias de intervenção para o estabelecimento da comunicação com a criança com surdocegueira.

   


RECURSOS PARA APRENDIZAGEM
Objetos de referência



Caixas de antecipação


Calendários


REFERÊNCIAS

Educação infantil: saberes e práticas da inclusão: dificuldades acentuadas de aprendizagem: deficiência múltipla. [4. ed.] / elaboração profª Ana Maria de Godói – Associação de Assistência à Criança Deficiente – AACD... [et. al.]. – Brasília: MEC, Secretaria de Educação Especial, 2006.

Bosco, Ismênia Carolina Mota Gomes. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar : surdocegueira e deficiência múltipla / Ismênia Carolina Mota Gomes Bosco, Sandra Regina Stanziani Higino Mesquita, Shirley Rodrigues Maia. - Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial ; [Fortaleza] : Universidade Federal do Ceará, 2010. v. 5. (Coleção A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar)

 

domingo, 9 de março de 2014

ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO EM CONSTRUÇÃO - Por Michele Gonçalves Romcy Torres




                                        Fonte: Elaborada pela autora



O embate político epistemológico entre os gestualistas e os oralistas, responsabiliza o sucesso ou o fracasso escolar com base na adoção de uma ou de outra concepção com suas práticas pedagógicas específicas, canalizando o problema para a língua em si, enquanto há discussões maiores a serem realizadas. A abordagem bilíngue, ou seja, o ensino da Libras e da Língua Portuguesa, torna-se a tendência que desterritorializa a clausura da pessoa com surdez, sob a ótica multicultural.
Para que, realmente, as práticas de ensino e aprendizagem na escola comum pública e também privada apresentem caminhos consistentes e produtivos para a educação de pessoas com surdez é preciso ir além das políticas que já estão propostas, as pessoas com surdez precisam de ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento e exercitem a capacidade perceptivo-cognitiva. 
Primeiramente temos que olhar e focar a potencialidade da pessoa e não os seus limites e “em segundo lugar o foco deve ser a transformação da escola e das suas práticas pedagógicas excludentes em inclusivas” (p.51).
É legitimado a construção do Atendimento Educacional Especializado para Pessoa com Surdez (AEE PS) que “tem como função organizar o trabalho complementar para a classe comum, com vistas à autonomia e à independência social, afetiva, cognitiva e linguística da pessoa com surdez na escola e fora dela” (p.52), favorecendo as condições essenciais de aprendizagem do aluno com surdez, numa abordagem bilíngue.
A organização do AEE PS envolve três momentos didático-pedagógicos: Atendimento Educacional Especializado em Libras; Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa; e o Atendimento Educacional Especializado de Libras.
Segundo Damázio (2005) alguns empecilhos que envolvem as práticas da filosofia integracionista com roupagem de inclusiva, impedem o desenvolvimento e provocam a repetência e a evasão, ocasionando o fracasso escolar.

Atendimento Educacional Especializado em Libras

Deverá ser realizado diariamente e no contra turno, utilizando o plano de conteúdos oficial da escola e a organização do espaço deve ser rica em imagens visuais e todos os recursos que visam colaborar com a aprendizagem do aluno.  Os conteúdos devem ser trabalhados com antecedência à sala de aula para que o aluno tenha mais facilidade na aprendizagem.

Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa

Deverá ser realizado diariamente, na sala de recursos multifuncionais em horário diferente ao da sala de aula comum. Deverá ser desenvolvido por profissional formado em Letras e que conheça os pressupostos linguísticos e teóricos que norteiam o trabalho do ensino de português escrito para pessoas com surdez. As aulas são preparadas segundo o desenvolvimento e aprendizagem do aluno com surdez. O objetivo desse atendimento é desenvolver a competência linguística, bem como textual, nas pessoas com surdez, para que elas sejam capazes de gerar sequências linguísticas.

Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Libras

O atendimento deve ser planejado com base no diagnóstico do conhecimento que o aluno tem a respeito da língua de sinais, em horário contrário aos das aulas na sala de aula comum. A organização didática desse espaço de ensino implica o uso de todo tipo de referências e muitas imagens visuais que devem ser de qualidade, respeitando as necessidades didático-pedagógicas para o ensino dessa língua. Trabalho realizado por instrutores de Libras, preferencialmente pessoas com surdez, que não devem praticar o bimodalismo e oferecem aos alunos com surdez melhores possibilidades do que o professor ouvinte, porque o contato com crianças e jovens surdos com adultos surdos favorece a naturalidade no processo de aquisição da língua. O AEE de Libras é de extrema importância para a inclusão e deverá oferecer ao aluno com surdez segurança e motivação.

REFERÊNCIA

DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p.46-57.


sábado, 30 de novembro de 2013

AUDIODESCRIÇÃO E DESCRIÇÃO

A audiodescrição é um recurso de acessibilidade que amplia o entendimento das pessoas com deficiência visual em eventos culturais, gravados ou ao vivo, como: peças de teatro, programas de TV, exposições, mostras, musicais, óperas, desfiles e espetáculos de dança; eventos turísticos, esportivos, pedagógicos e científicos tais como aulas, seminários, congressos, palestras, feiras e outros, por meio de informação sonora. É uma atividade de mediação linguística, uma modalidade de tradução intersemiótica, que transforma o visual em verbal, abrindo possibilidades maiores de acesso à cultura e à informação, contribuindo para a inclusão cultural, social e escolar. Além das pessoas com deficiência visual, a audiodescrição amplia também o entendimento de  pessoas com deficiência intelectual, idosos e disléxicos. (Lívia Maria Villela de Mello Motta e Paulo Romeu Filho)

Abaixo segue o link com o vídeo VIDA MARIA com audiodescrição. 


A atividade que faço é com os alunos da disciplina Educação Física para Pessoas com Deficiência. É uma minioficina de audiodescrição. Inicialmente coloco os alunos apenas para ouvirem a audiodescrição, após esse momento coloco o vídeo para que eles assistam e observem se a interpretação que eles fizeram foram boas, ou seja, se estava parecido com o que agora eles estavam vendo. Ao final fazemos um debate sobre o tema em questão. Peço para que eles tragam na aula seguinte uma imagem apenas, mas que tenha pessoas e ambiente para que eles façam a descrição para os colegas. Os colegas tentarão reproduzir a imagem através de desenho. Ao final da atividade, todos já fizeram a descrição para os colegas, então expomos os desenhos feitos ao lao da imagem trazida pelo colga e vemos o resultado. Será que alguém conseguiu interpretar a imagem como ela realmente era? Chegou próximo?  Faz-se também um debate para discutirmos, principalmente, as maiores dificuldades. Na outra aula eles deverão produzir uma audiodescrição de um pequeno vídeo escolhido por eles. Busco mostrar a importância de saberem fazer a descrição para aqueles alunos que precisam e assim possam ser realmente incluídos na aula.