AEE

O atendimento educacional especializado nas salas de recursos multifuncionais se caracteriza por ser uma ação do sistema de ensino no sentido de acolher a diversidade ao longo do processo educativo, constituindo-se num serviço disponibilizado pela escola para oferecer o suporte necessário às necessidades educacionais específicas dos alunos, favorecendo seu acesso ao conhecimento.

O atendimento educacional especializado constitui parte diversificada do currículo dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades / superdotação, organizado institucionalmente para apoiar, complementar e suplementar os serviços educacionais comuns. Nesse sentido, o atendimento educacional especializado não pode ser confundido com atividades de mera repetição de conteúdos programáticos desenvolvidos na sala de aula, mas deve constituir um conjunto de procedimentos específicos mediadores do processo de apropriação e produção de conhecimentos.

domingo, 9 de março de 2014

ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO EM CONSTRUÇÃO - Por Michele Gonçalves Romcy Torres




                                        Fonte: Elaborada pela autora



O embate político epistemológico entre os gestualistas e os oralistas, responsabiliza o sucesso ou o fracasso escolar com base na adoção de uma ou de outra concepção com suas práticas pedagógicas específicas, canalizando o problema para a língua em si, enquanto há discussões maiores a serem realizadas. A abordagem bilíngue, ou seja, o ensino da Libras e da Língua Portuguesa, torna-se a tendência que desterritorializa a clausura da pessoa com surdez, sob a ótica multicultural.
Para que, realmente, as práticas de ensino e aprendizagem na escola comum pública e também privada apresentem caminhos consistentes e produtivos para a educação de pessoas com surdez é preciso ir além das políticas que já estão propostas, as pessoas com surdez precisam de ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento e exercitem a capacidade perceptivo-cognitiva. 
Primeiramente temos que olhar e focar a potencialidade da pessoa e não os seus limites e “em segundo lugar o foco deve ser a transformação da escola e das suas práticas pedagógicas excludentes em inclusivas” (p.51).
É legitimado a construção do Atendimento Educacional Especializado para Pessoa com Surdez (AEE PS) que “tem como função organizar o trabalho complementar para a classe comum, com vistas à autonomia e à independência social, afetiva, cognitiva e linguística da pessoa com surdez na escola e fora dela” (p.52), favorecendo as condições essenciais de aprendizagem do aluno com surdez, numa abordagem bilíngue.
A organização do AEE PS envolve três momentos didático-pedagógicos: Atendimento Educacional Especializado em Libras; Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa; e o Atendimento Educacional Especializado de Libras.
Segundo Damázio (2005) alguns empecilhos que envolvem as práticas da filosofia integracionista com roupagem de inclusiva, impedem o desenvolvimento e provocam a repetência e a evasão, ocasionando o fracasso escolar.

Atendimento Educacional Especializado em Libras

Deverá ser realizado diariamente e no contra turno, utilizando o plano de conteúdos oficial da escola e a organização do espaço deve ser rica em imagens visuais e todos os recursos que visam colaborar com a aprendizagem do aluno.  Os conteúdos devem ser trabalhados com antecedência à sala de aula para que o aluno tenha mais facilidade na aprendizagem.

Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa

Deverá ser realizado diariamente, na sala de recursos multifuncionais em horário diferente ao da sala de aula comum. Deverá ser desenvolvido por profissional formado em Letras e que conheça os pressupostos linguísticos e teóricos que norteiam o trabalho do ensino de português escrito para pessoas com surdez. As aulas são preparadas segundo o desenvolvimento e aprendizagem do aluno com surdez. O objetivo desse atendimento é desenvolver a competência linguística, bem como textual, nas pessoas com surdez, para que elas sejam capazes de gerar sequências linguísticas.

Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Libras

O atendimento deve ser planejado com base no diagnóstico do conhecimento que o aluno tem a respeito da língua de sinais, em horário contrário aos das aulas na sala de aula comum. A organização didática desse espaço de ensino implica o uso de todo tipo de referências e muitas imagens visuais que devem ser de qualidade, respeitando as necessidades didático-pedagógicas para o ensino dessa língua. Trabalho realizado por instrutores de Libras, preferencialmente pessoas com surdez, que não devem praticar o bimodalismo e oferecem aos alunos com surdez melhores possibilidades do que o professor ouvinte, porque o contato com crianças e jovens surdos com adultos surdos favorece a naturalidade no processo de aquisição da língua. O AEE de Libras é de extrema importância para a inclusão e deverá oferecer ao aluno com surdez segurança e motivação.

REFERÊNCIA

DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p.46-57.


sábado, 30 de novembro de 2013

AUDIODESCRIÇÃO E DESCRIÇÃO

A audiodescrição é um recurso de acessibilidade que amplia o entendimento das pessoas com deficiência visual em eventos culturais, gravados ou ao vivo, como: peças de teatro, programas de TV, exposições, mostras, musicais, óperas, desfiles e espetáculos de dança; eventos turísticos, esportivos, pedagógicos e científicos tais como aulas, seminários, congressos, palestras, feiras e outros, por meio de informação sonora. É uma atividade de mediação linguística, uma modalidade de tradução intersemiótica, que transforma o visual em verbal, abrindo possibilidades maiores de acesso à cultura e à informação, contribuindo para a inclusão cultural, social e escolar. Além das pessoas com deficiência visual, a audiodescrição amplia também o entendimento de  pessoas com deficiência intelectual, idosos e disléxicos. (Lívia Maria Villela de Mello Motta e Paulo Romeu Filho)

Abaixo segue o link com o vídeo VIDA MARIA com audiodescrição. 


A atividade que faço é com os alunos da disciplina Educação Física para Pessoas com Deficiência. É uma minioficina de audiodescrição. Inicialmente coloco os alunos apenas para ouvirem a audiodescrição, após esse momento coloco o vídeo para que eles assistam e observem se a interpretação que eles fizeram foram boas, ou seja, se estava parecido com o que agora eles estavam vendo. Ao final fazemos um debate sobre o tema em questão. Peço para que eles tragam na aula seguinte uma imagem apenas, mas que tenha pessoas e ambiente para que eles façam a descrição para os colegas. Os colegas tentarão reproduzir a imagem através de desenho. Ao final da atividade, todos já fizeram a descrição para os colegas, então expomos os desenhos feitos ao lao da imagem trazida pelo colga e vemos o resultado. Será que alguém conseguiu interpretar a imagem como ela realmente era? Chegou próximo?  Faz-se também um debate para discutirmos, principalmente, as maiores dificuldades. Na outra aula eles deverão produzir uma audiodescrição de um pequeno vídeo escolhido por eles. Busco mostrar a importância de saberem fazer a descrição para aqueles alunos que precisam e assim possam ser realmente incluídos na aula. 

domingo, 20 de outubro de 2013

SUGESTÃO DE JOGO QUE PODE FAVORECER O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DE ESCOLARES COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL


JOGO - QUAL É A MINHA CASA?
 

      
Descrição do jogo:
O jogo é composto por: 
  • 6 “casas” de tamanhos diferentes, 2 “casas” com 2, 4 e 6 janelas. Cor das janelas: verdes e azuis.
  • 6 personagens de tamanhos diferentes.
 
Objetivos
  • Trabalhar jogo simbólico, seriação, classificação, quantificação (conservação do número).
Sugestões de atividades
  • Deixar a criança dramatizar livremente com as casas e seus moradores.
  • Pedir à criança para arrumar as casas por tamanho. (seriação)
  • Pedir à criança para arrumar os moradores em frente às suas casas por tamanho de acordo com suas “casas”. (seriação dupla)
  • Pedir à criança para arrumar os moradores por tamanho na ordem inversa da ordem em que estão arrumadas as casas. (seriação inversa)
  •  Juntar todos os moradores mantendo a ordenação, porém, tirando-as de relação termo a termo com as casas e pedir para a criança identificar as casas de cada um. (as casas permanecem no mesmo lugar)
 
Obs.: Esta proposta é mais complexa do que a anterior porque a criança não pode fazer uso de relação termo a termo (cada personagem em frente à uma casa) e precisa identificar cada morador e sua casa na série, contando.
  • Pedir à criança para agrupar as casas pelo número de janelas, ou pela cor das janelas (classificação).
  • Pedir à criança para agrupar os moradores pela cor da pele ou da roupa. (classificação)
  • Arrumar as casas e pedir à criança para colocar tantos moradores quantas forem as casas. Se a criança colocar um morador em frente de cada casa agrupá-los todos e perguntar se tem mais moradores ou mais casas.
Obs.: A criança que não tem conservação de número dirá que tem mais casas.
  • Uma vez obedecida a relação morador/casa, esconder alguns moradores dentro de suas casas e perguntar à criança quantos moradores estão em casa.

 
 
 
 
 
 
 

sábado, 7 de setembro de 2013

CAA - Comunicação Aumentativa e Alternativa

Destinada a atender pessoas sem fala ou escrita funcional ou em defasagem entre sua necessidade comunicativa e sua habilidade em falar e/ou escrever. Recursos como as pranchas de comunicação, construídas com simbologia gráfica, letras ou palavras escritas, são utilizados para expressar suas questões, desejos, sentimentos, entendimentos. A maneira de selecionar os objetos, fotos e ou figuras dependerá da alteração motora apresentada. Neste sentido, há possibilidade de o aluno manusear os recursos de comunicação indicando com a mão, com os dedos ou mesmo pegando o recurso. Na impossibilidade motora, o aluno pode indicar com o olhar, com a língua, piscar de olhos ou ainda, com ajuda de outra pessoa, que pode realizar a varredura de linhas e colunas até encontrar o estímulo pretendido pelo aluno, que pode se manifestar, por exemplo, por meio de um sorriso ou piscar de olhos.


Descrição de imagem: Visualiza-se uma prancha de comunicação com dezoito símbolos gráficos PCS cujas mensagens servirão para escolher alimentos e bebidas. Os símbolos CS estão organizados por cores nas categorias social (oi, podes ajudar?, obrigada); pessoas (eu, você, nós); verbos (quero, comer, beber); substantivos (bolo, sorvete, fruta, leite, suco de maçã e suco de laranja) e adjetivos (quente, frio e gostoso).


Um dos sistemas simbólicos mais utilizados em todo o mundo é o PCS - Picture Communication Symbols, criado em 1980 pela fonoaudióloga estadunidense Roxanna Mayer Johnson. No Brasil o PCS foi traduzido como Símbolos de Comunicação Pictórica. O sistema PCS possui como características: desenhos simples e claros, fácil reconhecimento, adequados para usuários de qualquer idade, facilmente combináveis com outras figuras e fotos para a criação de recursos de comunicação individualizados. São extremamente úteis para criação de atividades educacionais. O sistema de símbolos PCS está disponível no Brasil por meio do software Boardmaker.

Fonte: www.assistiva.com.br

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Professor de AEE

O professor de AEE tem um papel importantíssimo, pois é o responsável por realizar a suplementação, no caso dos alunos com altas habilidades e a complementação no caso dos alunos com deficiência. O professor deverá perceber o potencial de cada um, para isso é importante que sempre esteja estudando e que seja muito observador, pois tem que conhecer cada aluno individualmente. Orientar as famílias para o seu envolvimento e a sua participação no processo educacional e informar à comunidade escolar acerca da legislação e normas educacionais vigentes que asseguram a inclusão educacional, além de preparar material específico, orientar a elaboração dos mesmos e indicar e orientar o uso de equipamentos e materiais específicos e de outros recursos existentes na família e na comunidade também são atribuições do professor de AEE. Para finalizar são ainda de responsabilidade do professor de AEE: a definição de estratégias pedagógicas que favoreçam o acesso do aluno com necessidades educacionais especiais ao currículo e a sua interação no grupo. Salienta-se que o professor deverá participar das reuniões pedagógicas, do planejamento, dos conselhos de classe, da elaboração do projeto pedagógico, desenvolvendo ação conjunta com os professores das classes comuns e demais profissionais da escola para a promoção da inclusão escolar, atuando de forma colaborativa com os mesmos promovendo, assim, condições para que o aluno participe de todas as atividades da escola.
O estudo de caso é importante porque dá subsídios para a elaboração do plano de atendimento. Não deverá abordar apenas a “queixa” da professora e o tipo de deficiência do aluno, ou dados clínicos a seu respeito. Ele deverá conhecer e descrever o contexto educacional ao qual está inserido o aluno, abordando suas dificuldades, habilidades, desejos, preferências, entre outras questões relacionadas ao seu cotidiano escolar. É com o estudo de caso que iremos ter o conhecimento necessário para trabalhar com o aluno, pois é através dele que iremos conhecer, analisar e clarificar o problema para em seguida ver o que será necessário fazer para solucioná-lo. 
Para elaboração do plano de AEE o professor deve definir com clareza os objetivos a serem alcançados no próprio AEE e na sala de aula. Além disso, ele estabelece o período para o desenvolvimento do plano e os resultados esperados. Após a elaboração do plano de AEE, o professor avalia se este é coerente com a solução proposta para o problema, se é exequível na sua realidade e se os conhecimentos apreendidos foram suficientes para a sua elaboração. Assim, o plano elaborado contribui de forma efetiva para a aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos atendidos e o professor deve, periodicamente, reavaliar o plano de AEE, verificando se ele está surtindo os efeitos esperados e se precisa de ajustamentos. 

quinta-feira, 13 de junho de 2013